Muito embora a estética tenha definido o belo de forma racional, a beleza é um padrão que muda com a época e a cultura de cada sociedade. Isso nos leva a pensar que existem diferentes tipos de beleza. Valorizar este ou aquele parece estar associado às crenças e necessidades dos povos e civilizações. Vamos aqui passear por alguns períodos da história da arte e refletir um pouco sobre os padrões de beleza do corpo humano ao longo do tempo.

Beleza Medieval

Após a queda do Império Romano, temos o período conhecido como Idade Média ou Idade das Trevas, tamanha foi a decadência cultural da humanidade. Entre os séculos V e XV – dos meados dos anos 400 aos meados dos anos 1400 – com as invasões bárbaras e as inquisições da igreja, a humanidade mergulhou em intenso obscurantismo.

Madonna dell'umiltà

Na idade média não havia muita preocupação com a estética, a vaidade era um desrespeito religioso. O corpo feminino passou a ser escondido e associado ao pecado. A representação artística do nu feminino estava sempre acompanhada de figuras diabólicas. A beleza seria consequência da vida devota e denotava uma alma pura e casta, como a da Virgem Maria. Rosto angelical, lábios pequenos e cabelo cor de ouro eram o trunfo das mulheres.

Beleza Renascentista

Depois de séculos de escuridão, o movimento artístico e cultural rompe com o modo de vida fundamentado em fanatismo religioso e desperta para uma realidade material e humanista. Renascem os ideais de beleza greco-romanos. Ao corpo humano de cânone clássico, somam-se um maior grau de realidade. A gordura, que era um indicativo de status social, aparece valorizada nas pinturas. Braços roliços, quadris largos e até as celulites eram sinais de beleza.

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As três graças no detalhe do quadro “Primavera”, pintado por Botticelli em torno de 1482, representam a beleza renascentista do corpo feminino. O tema remonta o século II a.C. e é recorrente ao longo de toda a história da arte. As três graças são deusas da mitologia grega que serviam Afrodite – deusa do amor.

Beleza Barroca

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“As Três Graças”, por Peter Paul Rubens.

No período barroco o sentimentalismo se contrapõe ao materialismo lógico do renascimento, A arte começa a retratar as formas menos racionalizadas, mais naturais e envolvidas em clima poético. Na versão barroca de “As Três Graças”, Peter Paul Rubens realça os detalhes reais do corpo feminino e vê a beleza não apenas nas formas, mas na atitude, no movimento, na expressão e até nas imperfeições. Agora as celulites são belas novamente, como o foram no período renascentista.

Beleza Neoclássica

Percebemos que os movimentos culturais, na constante busca da inovação, alternam-se na adoção de valores filosóficos.  Hora uma, hora outra, a razão e a emoção assumem o comando da produção artística alternadamente. Se o Barroco deixa-se dirigir pelo sentimento, a sucessão da manifestação artística vai nortear-se pelo racionalismo. Assim o neoclássico volta-se para os clássicos cânones  greco-romanos. Influenciado pela revolução francesa, o estilo não poderia deixar de valorizar os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

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A obra  “A Banhista de Valpinçon”,  de Jean-Auguste Dominique Ingres,  de 1808, transmite uma sensação de contemplação distraída e encanto sensual. Os contornos valorizam a graça e suavidade da mulher, sem deixar de enaltecer a beleza da carne. A beleza neoclássica relaciona-se também com a sensualidade e, não apenas, a forma do corpo.

 

Para finalizar essa sequência, traremos,  na próxima publicação, reflexões sobre as Belezas Romântica, Moderna e Contemporânea. Fique de olho!