Muito embora a estética tenha definido o belo de forma racional, a beleza é um padrão que muda com a época e a cultura de cada sociedade. Isso nos leva a pensar que existem diferentes tipos de beleza. Valorizar este ou aquele parece estar associado às crenças e necessidades dos povos e civilizações. Vamos aqui passear por alguns períodos da história da arte e refletir um pouco sobre os padrões de beleza do corpo humano ao longo do tempo.

Beleza Paleolítica

Na pré-história, por exemplo, era considerada uma bela mulher a que tinha o corpo roliço com ventre e seios fartos. Talvez a percepção do belo fosse mais extintiva do que consciente. Numa época em que o alimento e a sobrevivência eram difíceis, a beleza estava no corpo de uma mulher que evidenciava fertilidade e vitalidade para garantir alimento e proteção à prole.  Vênus paleolíticas esculpidas a mais de 20 mil anos sustentam essa hipótese.

O Tempo é Belo

 

A imagem mostra a famosa Vênus de Willendorf, a Vênus de Dolní Vestonice e a Vênus de Lespugue. Nelas podemos ver as belas formas femininas dos primórdios da humanidade.

Beleza Clássica

Com a civilização nasceu também a filosofia.  Tudo passou a ser objeto de reflexão, inclusive a beleza. Os antigos ainda não tinham uma definição objetiva para ela (será que, hoje, nós temos essa definição?).  Platão afirmava que a beleza se encontrava na sabedoria enquanto o Oráculo de Delfos associa a beleza à justiça. O conceito do belo estético é fruto da cultura clássica greco-romana. Desenvolvido pelos filósofos e realizado divinamente pela arquitetura, escultura e pintura, em obras que até hoje são paradigmas dos objetos belos.

O conceito clássico de beleza descartou o gosto como critério para identificá-la. O belo objeto clássico foi definido como aquele que reúne as características da ordem, da simetria e da proporção. Posso até não gostar dele, vê-lo como algo sem emoção, irreal e distante. Posso até achá-lo feio, mas se ele se encaixa aos moldes clássicos da beleza presente em mais de 20 séculos de arte e arquitetura, então é belo.

venus de milo

Observando o padrão das pinturas e esculturas clássicas, podemos pensar sobre o conceito de beleza do corpo. Em uma época de constantes guerras se valorizava a saúde e a habilidade. O corpo era uma arma. A beleza estava em homens altos, musculosos, atléticos. Prontos para a luta. A beleza da mulher passou a ser menos voluptuosa.  Seios pequenos em corpos esbeltos e discretos. A estátua clássica é a “Venus de Milo” do século II a.C. , em mármore com 2,02 metros de altura e está no Museu do Louvre em Paris.

 

Super interessante, não?! Daremos sequência a essa reflexão na próxima publicação, onde falaremos um pouco mais sobre as Beleza Medieval, Renascentista, Barroca e Neoclássica. Fique de olho!

Latest Update: abr 19, 2017